quarta-feira, 5 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
mundo véio
quero. o silêncio das lìnguas cansadas. o òcio. o cio. conhecer os desejos da terra. ganhar o espaço em bolhas de sabão. escorregar pelas cachoeiras.
é o fim do pavio. é um resto de toco. é um caco de vida. é o sol que foge do rosto. as mãos estão lisas demais. e esse nò na garganta. e eu perdida em pensamento sobre o meu cavalo.
é o fim do pavio. é um resto de toco. é um caco de vida. é o sol que foge do rosto. as mãos estão lisas demais. e esse nò na garganta. e eu perdida em pensamento sobre o meu cavalo.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
brotar
bro.tar
(gót brûtôn, via provençal) vti e vint 1 Desabrochar, germinar, nascer: De boa semente brota boa planta. Ali brotavam muitas flores. vti e vint 2 Derivar, proceder, surgir: Nobres propósitos brotaram de nosso retiro. Brotara um movimento de renovação política. vtd 3 Dar saída a, deitar de si; segregar: Essas sementes brotam um óleo. vtd 4 Soltar da boca; proferir: Quando bêbedo, brotava muitos disparates. vti e vint 5 Sair de jato; borbotar, jorrar: "As águas brotavam das pedras, límpidas" (Coelho Neto). Uma fonte brotava, cristalina. vti 6 Sair fluentemente: Rico e expressivo vocabulário brota de sua pena. vti 7 Romper: Brotar em aplausos, em lamentações, em riso, em pranto etc.
o sertão é aqui
boa é a jornada. o inverno tem o som do branco sobre o branco. fiquei mesmo nesse estado, a seiva guardada pro próximo agomar. e agora que choveu no sertão, aqui também recomeça o irromper. é toda uma ciência.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
été indien (ou o veranico)
pois é. talvez os fatos consumados nem o sejam. talvez toque um tema de viola esquecido no subconsciente. aquele que puxa um tempo tão perdido, lá do cafundó do imaginário. uma coisa que só a gente sabe o que é. um banzo do que não foi.
se a gente sabe e dói mais em baixo do que em cima, então a gente pode confiar que se não é pra ser o tempo diz, a gente pode acalmar o coração e o fogo na palha se consome sozinho, sem precisar queimar o que não deve.
nessa nossa história de agora as folhas demoram mais pra cair, porque a gente produz muito calor, porque a gente não quer mais ficar velho, porque a gente tem medo de ficar feio e murcho. mas é um espetáculo tão bonito. e a gente não compreende, fica querendo voltar pruma época que nunca existiu. esse veranico desenxabido. essa zona de conforto. é agradável, é gostosinho; é expansivo, é tão diferente! é tudo o que eu precisava. um veranico pra alimentar o estado plasmático. e ficar assim, na terra do nunca. e ficar assim. querendo. fantasiando o próximo verão. eita nóis.
se a gente sabe e dói mais em baixo do que em cima, então a gente pode confiar que se não é pra ser o tempo diz, a gente pode acalmar o coração e o fogo na palha se consome sozinho, sem precisar queimar o que não deve.
nessa nossa história de agora as folhas demoram mais pra cair, porque a gente produz muito calor, porque a gente não quer mais ficar velho, porque a gente tem medo de ficar feio e murcho. mas é um espetáculo tão bonito. e a gente não compreende, fica querendo voltar pruma época que nunca existiu. esse veranico desenxabido. essa zona de conforto. é agradável, é gostosinho; é expansivo, é tão diferente! é tudo o que eu precisava. um veranico pra alimentar o estado plasmático. e ficar assim, na terra do nunca. e ficar assim. querendo. fantasiando o próximo verão. eita nóis.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
bem-te-vi
é um estado lá daquele país, que aqui ninguém entende. é um estado de espírito, um canto especial. desde a frequência. desde um tempo de amor, para mim.
teria o mesmo reflexo de não querer, de tentar me enganar e dizer que tempo de amor é tempo de fora. mas não. agradeço ao que me ensina a amar o tempo de dentro.
como quem não quer nada. nessa vidinha de tudo. vai ser legal quando descobrir que a terra tá bem debaixo do nariz. e que ela tá todinha aí pra gente se enraizar e crescer, e buscar pelo sol. sem procurar demais, só receber o que é. aceitar a cor, o cheiro, a gosma. porque é tudo como tem que ser.
mas no fundinho de humanidade tem vatapá, caruru, mungunzá. tem. daí a gente não pode negar, vem de um jeito que só vendo. vem embalando, vem chegando. deixo ou não deixo. inda bem que é de manhã, assim posso acordar pra ir dormir.
teria o mesmo reflexo de não querer, de tentar me enganar e dizer que tempo de amor é tempo de fora. mas não. agradeço ao que me ensina a amar o tempo de dentro.
como quem não quer nada. nessa vidinha de tudo. vai ser legal quando descobrir que a terra tá bem debaixo do nariz. e que ela tá todinha aí pra gente se enraizar e crescer, e buscar pelo sol. sem procurar demais, só receber o que é. aceitar a cor, o cheiro, a gosma. porque é tudo como tem que ser.
mas no fundinho de humanidade tem vatapá, caruru, mungunzá. tem. daí a gente não pode negar, vem de um jeito que só vendo. vem embalando, vem chegando. deixo ou não deixo. inda bem que é de manhã, assim posso acordar pra ir dormir.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
na outra margem do rio
e é essa vidinha, ô meu deus. essa vidinha de tudo. um, dois, três, e hop! já tem que levantar, vamos caminhar, porque quem fica parado é poste. daí então o jardineiro me disse mais uma vez que as plantas tão felizes com essa chuva, mas que quando vem assim de repente elas estranham. elas disseram que querem uma terra de verdade, onde elas possam dar liberdade pras raízes. foi. elas disseram isso. acho que elas ainda tão com a bola toda, apesar do outono que quer chegar, já. não que eu não goste dele, ele é bonito. mas que dá uma tristezinha ver os cabelos caindo dá. o outono é um sambinha, uai.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
la lumière jaune sur le mur rouge revient
e há um ano atrás descobrimos que de manhã a parede vermelha do quarto acendia a luz. e ela amarela, brilha, filtrada pela árvore que ainda balança orgulhosa as folhas. um quadro. um curta. de perto alucinação. e o mesmo gosto vem de novo na boca. pode crer que lá fora tá friozinho já. de tarde ainda esquenta um bocado, mas é gostosinho ficar debaixo do sol. coloco uma blusa sem manga, um casaco e saio pela escada azul. começo a sentir frio nos pés. é, a luz da parede vermelha não falha. amanhã juro que coloco umas meias.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
l'été
ensaio a vida segundo os estações. aqui deste lado, digamos, elas se impõem. sem que eu perceba o sol vem queimar minhas folhas, assim sem avisar. e amanhã eu esperei a praia com areia fina que eu gosto tanto, sem ter muita coisa pra dizer, só o mar me escutando. mas fica no sonho de colocar a concha no ouvido e deitar pra deixar a brisa lambiscar a pele. e tomar cuidado pro sol não me molhar demais. e só. o mar aqui é mãe, coisas de fonética. do lado de cá o fruto vem da áfrica, vem, lá do outro lado do mediterrâneo. vem xoxo, cansado de voar. verde de madureza forçada, sem o gosto de pegar um bem madurinho no pé. é o desenho que se faz dessa forma-mercadoria que é hoje o meu mapa. o meu céu é diferente, mas começo a reconhecer as constelações como se fizessem parte da minha cartografia. e então eu gosto de sentir as estações. ainda que elas não sejam suaves, gosto de senti-las me refazendo. e a água é vida. a água é viva? ô calor...
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