quarta-feira, 28 de outubro de 2009

été indien (ou o veranico)

pois é. talvez os fatos consumados nem o sejam. talvez toque um tema de viola esquecido no subconsciente. aquele que puxa um tempo tão perdido, lá do cafundó do imaginário. uma coisa que só a gente sabe o que é. um banzo do que não foi.
se a gente sabe e dói mais em baixo do que em cima, então a gente pode confiar que se não é pra ser o tempo diz, a gente pode acalmar o coração e o fogo na palha se consome sozinho, sem precisar queimar o que não deve.
nessa nossa história de agora as folhas demoram mais pra cair, porque a gente produz muito calor, porque a gente não quer mais ficar velho, porque a gente tem medo de ficar feio e murcho. mas é um espetáculo tão bonito. e a gente não compreende, fica querendo voltar pruma época que nunca existiu. esse veranico desenxabido. essa zona de conforto. é agradável, é gostosinho; é expansivo, é tão diferente! é tudo o que eu precisava. um veranico pra alimentar o estado plasmático. e ficar assim, na terra do nunca. e ficar assim. querendo. fantasiando o próximo verão. eita nóis.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

bem-te-vi

é um estado lá daquele país, que aqui ninguém entende. é um estado de espírito, um canto especial. desde a frequência. desde um tempo de amor, para mim.
teria o mesmo reflexo de não querer, de tentar me enganar e dizer que tempo de amor é tempo de fora. mas não. agradeço ao que me ensina a amar o tempo de dentro.
como quem não quer nada. nessa vidinha de tudo. vai ser legal quando descobrir que a terra tá bem debaixo do nariz. e que ela tá todinha aí pra gente se enraizar e crescer, e buscar pelo sol. sem procurar demais, só receber o que é. aceitar a cor, o cheiro, a gosma. porque é tudo como tem que ser.
mas no fundinho de humanidade tem vatapá, caruru, mungunzá. tem. daí a gente não pode negar, vem de um jeito que só vendo. vem embalando, vem chegando. deixo ou não deixo. inda bem que é de manhã, assim posso acordar pra ir dormir.